A Escola Centro-Oeste de Formação Sindical da CUT – Apolônio de Carvalho

A Escola Centro-Oeste de Formação Sindical da CUT, ECOCUT Apolônio de Carvalho, no VIII Encontro Regional do Movimento Pedagógico Latino-Americano Stella Maldonado. O evento ocorre de 5 a 7 de novembro de 2026, em Bogotá, na Colômbia, conforme a divulgação da Federação Colombiana de Trabalhadores da Educação (FECODE). Divulgação da FECODE

A edição marca os 15 anos do movimento e retorna à cidade que sediou seu primeiro encontro, em 2011. Articulado pela Internacional da Educação América Latina (IEAL), o movimento promove o intercâmbio entre organizações sindicais e incentiva educadoras e educadores a formular propostas para a educação pública a partir da experiência de quem trabalha nas escolas. Histórico do movimento — IEAL · O que é o MPL — IEAL

Para a ECOCUT, a participação aproxima a formação sindical no Brasil das experiências de outros países da região. A troca permite conhecer como sindicatos e comunidades escolares se organizam para defender a educação pública como direito e ampliar a participação dos profissionais da educação nas decisões sobre as políticas de ensino. Preparação do encontro — CTERA

Resumo de participantes do 1º Dia:

Em Bogotá, encontro latino-americano debate o futuro da escola pública na era da inteligência artificial

Fátima Silva, Gloria Ramírez, Hugo Yasky e Combertty Rodríguez discutiram o papel dos sindicatos nas decisões sobre tecnologia, trabalho docente e políticas educacionais.

A defesa da educação pública passa também por decidir quem escolhe as tecnologias usadas nas escolas, como o ensino é avaliado e em que condições trabalham seus profissionais. Essas questões atravessaram as falas no VIII Encontro Regional do Movimento Pedagógico Latino-Americano Stella Maldonado, realizado de 5 a 7 de novembro de 2026, em Bogotá, na Colômbia. A edição marca os 15 anos do movimento.

Fátima Silva defende ampliar a pauta das negociações sindicais. Ao fazer um balanço dos últimos 15 anos, ela criticou o avanço da lógica de mercado sobre a educação, a precarização do trabalho e a pouca visibilidade dos profissionais que atuam nas escolas fora da docência. Propôs levar as recomendações da UNESCO sobre a profissão docente às mesas de negociação e incluir na pauta temas como saúde, infraestrutura, avaliação e autonomia pedagógica. Para Fátima, a inteligência artificial pode apoiar o trabalho docente, e os sindicatos devem participar das decisões sobre sua adoção.

Gloria Ramírez associa educação pública à soberania tecnológica. Em sua avaliação, a capacidade de produzir conhecimento, desenvolver tecnologias e decidir como os dados são usados é parte da autonomia dos países latino-americanos. Ramírez questionou a dependência de plataformas cujos critérios escapam ao debate público. Defendeu que a escola ensine estudantes a usar a inteligência artificial e a reconhecer seus limites, vieses e interesses. Também propôs que os sindicatos desenvolvam pesquisas e capacidades tecnológicas em diálogo com universidades, comunidades e movimentos sociais.

Hugo Yasky coloca a inclusão no centro da qualidade da educação. Para ele, ampliar o acesso à escola é parte do que torna o ensino público melhor. Yasky criticou rankings e currículos padronizados por reduzirem o espaço para o trabalho dos educadores com a história e a cultura de suas comunidades. Ao recuperar Paulo Freire e a ideia da escola como território de paz, defendeu uma formação capaz de cultivar a convivência democrática e o pensamento crítico diante das respostas automatizadas e das mensagens que circulam nas redes sociais.

Combertty Rodríguez propõe fortalecer o movimento em cada país. Na sua avaliação, a articulação latino-americana ganha força quando se apoia em organizações nacionais que dialogam com estudantes e comunidades escolares. Ele defendeu que o movimento formule políticas e práticas pedagógicas próprias para enfrentar a privatização e a comercialização do ensino. Sobre a inteligência artificial, chamou atenção para o risco de aceitar respostas prontas em atividades cujo valor pedagógico está justamente em investigar, analisar e formular conclusões.

As quatro intervenções convergiram na defesa da participação dos trabalhadores da educação nas decisões sobre o ensino. Cada uma apontou um caminho para isso: ampliar a negociação sindical, desenvolver autonomia tecnológica, preservar a função inclusiva da escola pública e fortalecer a organização do movimento em cada país. O Dr. Jeová Simões acompanha esse debate em Bogotá como representante da ECOCUT Apolônio de Carvalho.

Fonte: sínteses dos pronunciamentos de Fátima Silva, Gloria Ramírez, Hugo Yasky e Combertty Rodríguez encaminhadas à ECOCUT. As falas foram apresentadas em discurso indireto.


Representantes:

Onivan Correa de Lima – Coordenador da Escola ECOCUT

José Roque – Coordenador da Escola ECOCUT

Gabriela Cardoso Zanina Queiroz – Coordenadora da Escola ECOCUT

Dr. Jeová Simões – Assessor da Escola ECOCUT

Dr. Jeová Simões

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